Roberto Justus detona Mion e espalha notícias falsas sobre coronavírus: ‘Criança não pega’

Roberto Justus espalha notícias falsas
Roberto Justus espalha notícias falsas sobre coronavírus. Foto: AgNews

Não acreditar no que dizem os cientistas não é exclusividade de pessoas sem acesso à notícia. Roberto Justus espalha notícias falsas ao tentar rebater um vídeo de um professor de microbiologia da USP (Universidade de São Paulo). Depois que Marcos Mion compartilhou o vídeo do professor Átila Iamarino, o empresário respondeu, num áudio de três minutos, repleto de informações falsas.

No vídeo em questão, Atila afirma que, caso o governo não tomasse atitude restritiva alguma, o país poderia contabilizar até 1 milhão de mortos. Ao longo de mais de uma hora, o cientista explica os diferentes cenários que podem incorrer, a depender das atitudes do governo. Em gráficos, ele analisa, por exemplo, quantos casos teríamos se o governo apenas colocasse em quarentena os diagnosticados com a doença. Justus contestou as informações:

“Mion estamos em total desacordo. Vou te passar uma matéria de um cara genial dos Estados Unidos falando sobre essa histeria. Um milhão de mortos…quando alguém faz um argumento desse, com todo o respeito porque eu te acho um cara muito inteligente, quando alguém solta um argumento desses, ai acabou né?”.

Nas imagens do professor em microbiologia, os dados fazem previsão até o final do ano, contabilizando todos os casos do país. O empresário compara a previsão com os dados dos últimos três meses ao redor do mundo.

“Um milhão de mortos no Brasil? Em lugar nenhum do mundo teve um total de mortos desse até agora. No mundo foram 12 mil pessoas que morreram de coronavírus até agora. Isso é absolutamente nada. 220 mil infectados. E o Brasil é tão abençoado por Deus, que aqui ele vai matar 1 milhão. Nenhum lugar do mundo, nem na China onde tudo começou, mas aqui vai matar 1 milhão”, ironiza.

População contaminada

É realidade que, provavelmente, todos nós um dia contraiamos o coronavírus. Afinal, como a gripe, a doença tem alto contágio. No entanto, ele diz que seria bom já pegarmos o vírus logo, o que vai contra o que é dito pelas autoridades em saúde. O objetivo de todos os governos do mundo é fazer com que a população demore a contrair o vírus. Nas mídias especializadas, isso é chamado ‘achatar a curva’.

Como assim? As pessoas são isoladas para que não contraiam o vírus de uma vez, não sobrecarregando o sistema de saúde. O problema do coronavírus não é só o contágio, mas a falta de estrutura para lidar com o número de casos. Se a quantidade de doentes subir muito em pouco tempo, não haverá leitos suficientes para quem precisa ser internado. Daí aconteceria como na Itália, onde os médicos precisam decidir entre quem morre e quem vive, por falta de espaço para tratar os doentes. Quando se fala que Roberto Justus espalha notícias falsas sobre o coronavírus, é sobre esse tipo de afirmação:

“Se pegarmos o vírus, que seria bom, já criaríamos anticorpos e acabaria de uma vez”, declara.

A questão econômica

Em seu discurso, o empresário demonstra real preocupação com a crise econômica que o vírus provocou. Ainda que concorde com o isolamento social de alguns grupos, ele contesta a intensidade das ações de contenção.

“Agora claro que esse exagero que foi feito, tem vários argumentos e pensamentos atrás dele. Eu acho que devia isolar os velhinhos, devia cuidar deles, não ter aglomerações humanas como grandes eventos, festas etc. Isso sim”, afirma.

“Mas esse isolamento vai custar muito mais caro, você está preocupado com os pobres? Você vai ver a vida devastada da humanidade na hora do colapso econômico, da recessão mundial, os pobres não vão ter o que comer, das empresas fecharem, do desemprego em massa…”, reflete o esposo de Ana Paula Siebert. Ao tratar da economia, em vez de Roberto Justus espalhar notícias falsas, ele faz uma previsão bastante coerente. Pessimista, mas coerente.

O empresário usa o mesmo termo do presidente Jair Bolsonaro para classificar a doença: gripezinha:

“Não dá pra comparar com um viruzinho que é uma gripezinha leve para 90% das pessoas. Não dá pra comparar o desastre que vai ser a vida”.

Desinformação

Enquanto Roberto Justus espalha notícias falsas, a falta de água para lavar as mãos ou tomar banho é crise sanitária que tende a piorar com a chegada do novo coronavírus nas comunidades carentes. Aglomeração de pessoas, falta de estrutura ou acesso a itens de higiene pessoal não são levados em conta pelo apresentador. No entanto, reportagem da VEJA mostra a situação de calamidade de uma das favelas de São Paulo.

“Fica preocupado não com o vírus entrando na favela porque não vai matar ninguém na favela, vai matar só velhinho e gente já doente”, protesta.

Justus não para por aí. Mais uma vez, notícias infundadas para falar sobre o vírus aparecem em seu discurso. Ele alega que todas as mortes até hoje foram de idosos ou pessoas que tinham “problema recorrente de saúde no passado”.

“Não tem nenhuma morte no mundo até hoje, das 12 mil, que a pessoa não teria algum problema recorrente de saúde do passado. Nenhuma! Como você me explica isso?”, questiona. “Todos foram velhinhos, se eram mais jovens, tinham algum problema pulmonar ou diabetes que fez o vírus ser mais grave”, completa.

De novo, o apresentador demonstra desinformação. Amplamente noticiado no Brasil, o italiano Michele não estava em nenhum grupo de risco, contraiu o vírus e morreu, aos 54 anos, após ser internado. A OMS também informa que o vírus pode ser letal para jovens entre 20 e 44 anos.

Crianças infectadas

Em seguida, Justus espalha notícias falsas ao falar sobre o caso das crianças. Ele declara que não há nenhum caso entre pessoas de 0 a 10 anos:

“Pessoal saudável zero, e os pobres não são todos doentes não. Então na favela não vai acontecer p** nenhum se entrar o vírus. Pelo contrário, essa molecada que tá na favela, crianças então de 0 a 10 anos nenhum caso”.

Apesar da fala enfática, mais uma vez, o empresário se engana. O presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou no dia 16 de março, que o vírus afeta crianças e já foi fatal para parte das infectadas. Ainda que o número seja menor, a faixa-etária também já foi contaminada no Brasil. Em Porto Alegre (RS), uma menina de cinco anos foi infectada.

Então, Justus volta a falar que a crise global será mais grave que o número de mortos pela doença que aflige a população do mundo todo.

Isso não é grave, grave é o que vai acontecer com o mundo agora. Uma recessão global como nunca aconteceu na historia, nem no Crash de 29 e nem nada”, finaliza.

Defesa de Mion

Através de sua assessoria, Marcos Mion se pronunciou sobre o caso

“O áudio que está circulando é apenas uma parte de uma conversa de um grupo de amigos e se referia a um vídeo, não do Mion, mas de um pesquisador, o biólogo, especializado em virologia, Átila Iamarino. O vídeo, colocado no grupo pelo Mion, traz prospecções de diferentes cenários para diferentes variáveis. Não se tratava de uma única afirmação determinista. Os integrantes do grupo discutiam livremente em cima das possibilidades colocadas pelo especialista, assim como discutem várias outras prospeções e cenários” iniciou.

A assessoria fez questão de reiterar o compromisso de Mion com seus seguidores “Desde o dia 12 de março, Mion usa, diariamente, seu alcance nas redes sociais e toda a sua credibilidade para alertar a população sobre a importância da prevenção diante do coronavirus. Seus vídeos, que somam milhões de acessos e são compartilhados nas mais diferentes plataformas, apresentam exclusivamente informações e  recomendações de fontes oficiais”

Ouça o áudio:

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